Mapeamento de processos: como fazer e ferramentas

Guia completo para mapeamento de processos

Se você quer melhorar a eficiência dos processos, reduzir retrabalho, dar visibilidade ao que realmente acontece nas áreas e preparar o terreno para padronização ou para automatizar processos, o mapeamento de processos é um excelente ponto de partida. Ele ajuda você a enxergar o processo como ele funciona hoje, com suas etapas, decisões, responsáveis, falhas, esperas e oportunidades de melhoria.

Mais do que desenhar um fluxo bonito, mapear processos é organizar a operação para tomar decisões melhores. Quando esse trabalho é bem feito, fica mais fácil eliminar desperdícios, esclarecer responsabilidades, documentar atividades, reduzir tempo de execução e construir um processo futuro mais simples, consistente e escalável.

O que é mapeamento de processos?

O mapeamento de processos é a prática de representar visualmente como um processo acontece do começo ao fim. Isso inclui atividades, decisões, entradas, saídas, responsáveis, regras, exceções e resultados. Em outras palavras, ele transforma uma rotina que muitas vezes está dispersa em e-mails, planilhas, conversas e hábitos informais em um fluxo claro, visível e analisável.

Segundo a definição de mapeamento de processos do BPM CBOK v3.0:
Mapeamento implica maior precisão do que uma diagramação e tenderá a agregar maior detalhe acerca não somente do processo, mas também de alguns dos relacionamentos mais importantes com outros elementos, tais como atores, eventos e resultados. Mapas de processo tipicamente fornecem uma visão abrangente dos principais componentes do processo, mas variam de níveis mais altos para mais baixos de detalhamento

Na prática, isso significa que mapear processos não serve apenas para “desenhar o que a área faz”. Serve para entender como o trabalho flui, onde ele trava, o que gera retrabalho, quais etapas não agregam valor e onde existe espaço para melhoria.



Se você quiser um resumo rápido, os 4 pontos principais do mapeamento de processos são estes:

  1. Definir com clareza qual processo será analisado.
  2. Entender as etapas, entradas, saídas e responsáveis.
  3. Visualizar gargalos, falhas, desvios e esperas.
  4. Usar esse entendimento para melhorar, padronizar e, quando fizer sentido, automatizar.

Por que fazer o mapeamento de processos?

Entender a fundo o fluxo de atividades é muito importante para a eficiência dos processos. Quanto mais claro for o caminho que o trabalho percorre dentro da empresa, mais fácil fica melhorar o que já existe e evitar que problemas antigos se repitam em escala.

É por isso que o mapeamento costuma ser um passo decisivo para empresas que querem crescer com mais controle. Ele organiza a operação antes da mudança. E isso faz diferença, porque melhorar um processo mal compreendido costuma gerar mais confusão do que resultado.

Quando você faz o mapeamento de um processo, você cria uma base concreta para:

  • Melhorar o que é feito;
  • Documentar as atividades;
  • Eliminar desperdícios;
  • Eliminar processos que não geram valor;
  • Padronizar os fluxos de trabalho;
  • Automatizar processos;
  • Reduzir custos;
  • Reduzir tempo;
  • Facilitar treinamentos e transições entre equipes;
  • dar mais previsibilidade à execução.

Vale um cuidado aqui. Ao iniciar o desenho do mapeamento do processo, é interessante que você tenha um objetivo principal em mente. Você pode até encontrar ganhos em várias frentes ao mesmo tempo, mas o mapa fica muito mais útil quando ele nasce com uma pergunta clara.

Você quer reduzir tempo? Baixar custo? Diminuir erro? Melhorar a experiência do cliente? Aumentar controle? Esse foco ajuda a escolher melhor o nível de detalhe e também evita que o trabalho vire um documento genérico.

Qual a diferença entre mapa, modelo ou diagrama de processos?

É muito comum as pessoas confundirem esses termos quando começam a estudar processos. E isso acontece porque, no dia a dia, mapa, modelo e diagrama costumam aparecer próximos. Só que cada um tem um papel diferente.

Para deixar essa leitura mais clara, vale seguir a mesma lógica visual do artigo original: começar pelo diagrama, passar pelo mapa e então chegar ao modelo.

Diagrama de processos

O diagrama de processos é a representação visual mais direta do fluxo. Ele ajuda a retratar as principais etapas, os pontos de decisão e o caminho geral que uma atividade percorre. É muito útil quando você quer comunicar de maneira rápida o funcionamento de um processo, sem necessariamente aprofundar todos os detalhes de regra, exceção, integração ou responsabilidade.

Em outras palavras, o diagrama sintetiza. Ele mostra o essencial para facilitar o entendimento.

O diagrama tartaruga é um ótimo exemplo disso. Ele é bastante usado em empresas que trabalham com qualidade, especialmente em contextos ligados à ISO 9001, porque organiza visualmente elementos importantes do processo de forma simples e objetiva.

Exemplo de diagrama tartaruga
Exemplo de diagrama tartaruga

Perceba que esse tipo de diagrama ajuda a enxergar a estrutura do processo com mais rapidez. Ele mostra os componentes centrais da execução, mas ainda não entra no mesmo nível de detalhamento de um mapa ou de um modelo de processos.

Mapa de processos

O mapa de processos já é uma evolução em relação ao diagrama. Ele não se limita a mostrar que existe um fluxo. Ele detalha como esse fluxo acontece, quais eventos o afetam, quem participa, que regras estão envolvidas, que resultados são esperados e em que pontos existem interfaces com outros processos ou áreas.

Por isso, o mapa é mais adequado quando o objetivo não é apenas comunicar o fluxo, mas entendê-lo melhor para análise e melhoria. É nele que você começa a enxergar gargalos, redundâncias, falhas de passagem de bastão, exceções recorrentes e oportunidades de ganho operacional.

Exemplo de mapeamento de processo
Exemplo de mapa de processo

Esse nível de visualização já permite uma leitura mais rica do processo. Você consegue entender não só a sequência das atividades, mas também a lógica que sustenta a execução.

Modelo de processos

O modelo de processos é a versão mais aprofundada. Ele normalmente traz um alto nível de detalhamento e pode envolver recursos, fluxo de informações, regras de negócio, dados, instalações, integrações, exceções e condições de execução. Em muitos casos, essa modelagem já serve como base para simulação, gestão mais robusta e automatização.

Quando uma empresa quer sair da documentação e avançar para um processo controlado por sistema, o modelo ganha ainda mais importância. É aqui que notações como BPMN fazem diferença, porque ajudam a representar com precisão a lógica do fluxo.

Vou te mostrar um exemplo de modelo de processo na notação BPMN, que é utilizada mundialmente para modelagem de processos.

Diagrama de processo usando BPMN
Representação Simples de Fluxo em BPMN
mapeamento de processo
Fluxo em Baixo Nível com Raias BPMN

Se você quiser guardar uma forma simples de diferenciar os três conceitos, pense assim: o diagrama resume, o mapa detalha e o modelo estrutura o processo para gestão mais madura e, muitas vezes, para execução automatizada.

Qual a diferença entre fluxograma e mapeamento?

Essa dúvida é muito comum porque o fluxograma aparece o tempo todo quando o assunto é processo.

O fluxograma é uma forma de representação visual do fluxo. Ele mostra etapas, decisões, desvios e sequência de execução. É ótimo para explicar o caminho de uma atividade de forma rápida e compreensível.

O mapeamento de processos é mais amplo. Ele pode usar um fluxograma como parte da representação, mas envolve um trabalho maior de entendimento e análise. Ao mapear um processo, você define escopo, levanta entradas e saídas, identifica responsáveis, observa gargalos, registra exceções e cria base para melhoria.

Então, em uma resposta direta: o fluxograma é uma forma de desenhar o processo. O mapeamento é o trabalho de entender, organizar, representar e melhorar esse processo.

Ferramentas para utilizar na hora de fazer o mapeamento de processos:

Essas ferramentas variam em complexidade e foco, então a escolha depende do tamanho da sua equipe, do nível de detalhamento desejado e do tipo de processo a ser mapeado.

  1. Lucidchart
    • Ferramenta online colaborativa para criação de fluxogramas e mapas de processos.
    • Ideal para equipes, pois permite edição em tempo real.
  2. Draw.io (diagrams.net)
    • Ferramenta gratuita e online para criação de diagramas variados, incluindo mapas de processos.
    • Fácil de usar e integrar com Google Drive e outras plataformas.
  3. ARIS Express
    • Oferece recursos avançados para modelagem de processos e análise.
    • Gratuito para uso básico e utilizado em ambientes corporativos.
  4. Miro
    • Quadro branco digital colaborativo, ótimo para workshops de mapeamento de processos em equipe.

Quando fazer o mapeamento de processos?

O mapeamento de processos deve ser feito ao iniciar um novo projeto, ao identificar ineficiências ou gargalos e durante a implementação de melhorias ou mudanças organizacionais. Esses são momentos em que o fluxo precisa ser entendido com mais clareza para que a empresa consiga agir com mais segurança.

Quando um novo projeto começa, o mapeamento ajuda a organizar a execução antes que o processo cresça de forma improvisada. Quando aparecem ineficiências, ele ajuda a identificar onde o fluxo perde desempenho. E, durante a implementação de mudanças, reduz o risco de alterar algo importante sem compreender os impactos no todo.

Também vale mapear quando o processo depende demais de conhecimento informal, quando existem muitas aprovações sem critério claro, quando áreas diferentes trabalham com versões distintas da mesma rotina ou quando o time até consegue executar, mas ninguém tem visibilidade real do que acontece entre o início e o fim da demanda.

Em um contexto de digitalização mais intensa e uso crescente de tecnologia nas empresas, esse cuidado fica ainda mais importante. Processos pouco claros atrasam integração, dificultam acompanhamento, escondem desperdícios e tornam qualquer tentativa de escala muito mais difícil do que deveria ser.

Quais são benefícios do mapeamento de processos?

Realizar o mapeamento dos processos traz benefícios muito claros para a organização, principalmente porque ele transforma atividades dispersas em uma visão compreensível e acionável.

O primeiro benefício é a melhoria na compreensão do negócio. Quando você enxerga um processo inteiro, consegue entender melhor como cada etapa contribui para o resultado final e onde estão as dependências mais sensíveis.

O segundo é a facilidade para análise. Fica muito mais simples identificar gargalos, atrasos, aprovações em excesso, tarefas duplicadas, esperas desnecessárias e falhas de comunicação entre áreas.

O terceiro é a redução de custos. Ao mapear um processo, você encontra desperdícios que antes passavam despercebidos. Isso pode incluir retrabalho, etapas sem valor, controles paralelos, excesso de conferência ou uso inadequado de recursos.

Outro ganho importante é o aumento da produtividade. Quando as responsabilidades ficam claras e o fluxo faz sentido, a execução anda melhor. O time perde menos tempo tentando descobrir o próximo passo e mais tempo fazendo o que precisa ser feito.

O mapeamento também ajuda a acelerar a execução. Isso acontece porque a empresa reduz desvios, encurta o ciclo do processo e melhora a passagem de bastão entre pessoas e áreas.

Há ainda benefícios de controle. Um processo mapeado é mais fácil de monitorar, treinar, revisar e evoluir. Isso aumenta a capacidade de resolver problemas e diminui a dependência de improviso.

Por fim, existe um benefício que muita gente subestima: o de alinhamento. O mapa ajuda a equipe a discutir o processo com base em fatos, e não apenas em percepções. Isso melhora a qualidade das decisões e evita boa parte dos ruídos comuns em projetos de melhoria.

Exemplo de Mapeamento de Processo

Antes de te mostrar o passo a passo, vou te mostrar um exemplo.

Imagine um processo de aprovação de compras em uma empresa. No cenário atual, a solicitação chega por e-mail, passa por validação manual, volta para correção quando falta informação, depende da disponibilidade do gestor, depois segue para o financeiro e, em alguns casos, ainda exige conferência com o orçamento da área. Tudo isso acontece sem padrão claro, sem campo obrigatório e sem rastreabilidade centralizada.

Neste exemplo, você reuniria os profissionais envolvidos no processo, faria entrevistas, observaria como cada atividade é realizada. O próximo passo seria fazer a representação desse fluxo de atividades. Desenhe tudo isso. Eu te indicaria usar a notação de fluxograma ou de BPMN.

Vou te mostrar um exemplo de mapeamento de processo de vendas, em notação BPMN:

exemplo de mapeamento de processos com notação BPMN
Exemplo de mapeamento de processos

Como fazer o mapeamento de processos?

Em primeiro lugar, lembre-se de uma coisa: a ordem dos fatores altera, sim, o resultado final. O mapeamento funciona melhor quando segue uma sequência lógica. Isso ajuda você a não pular etapas importantes, não correr para a solução antes de entender o problema e não gastar energia desenhando um processo que ainda está mal definido.

A APQC chama atenção justamente para esse ponto. Antes de sair desenhando, é preciso definir escopo, entender entradas e saídas, envolver as pessoas certas e esclarecer os limites do processo. Isso evita um erro muito comum: construir um mapa bonito, mas pouco útil para a melhoria.

Vamos ao passo a passo:

Material para baixar de Checklist para mapeamento de processos

Passo 1: Identificar a questão crítica

O ponto de partida do mapeamento é identificar qual problema, necessidade ou objetivo justifica esse trabalho. Isso parece simples, mas faz toda a diferença.

Se você não souber exatamente o que está tentando entender ou melhorar, o processo será mapeado de forma genérica e o resultado tende a perder força. A questão crítica pode estar ligada a atraso, retrabalho, custo elevado, falha de comunicação, baixa produtividade, dificuldade de controle, erros frequentes, insatisfação do cliente ou falta de padrão.

O importante é traduzir essa dor em uma pergunta clara. Por exemplo: onde esse processo perde mais tempo? Em que ponto ele trava? Por que ele gera tanto retrabalho? O que impede esse fluxo de ser mais previsível?

Quando essa questão fica bem delimitada, o resto do trabalho ganha foco. Você passa a observar o processo com mais critério e a separar o que realmente importa daquilo que é apenas acessório.

Passo 2: Selecionar o processo

A escolha de qual processo mapear envolve uma série de critérios particulares de cada organização. Nem todos os processos da empresa precisam ser atacados ao mesmo tempo, e nem todos valem o mesmo investimento de tempo e energia logo no início.

Em geral, vale refletir sobre perguntas como estas:

  • Esse processo tem impacto em meu negócio?
  • Esse processo é um problema hoje para minha organização?
  • Existem oportunidades para que este mapeamento vire um processo automatizado futuramente?
  • Este mapeamento trará retornos e resultados positivos?
  • Eu tenho controle, poder de decisão e acesso a todas as informações necessárias para poder mudar como esse processo funciona hoje?

Algumas dicas de bons processos candidatos a mapeamento e automatização:

  • Processos, procedimentos ou rotinas que se repetem diversas vezes na empresa;
  • Processos com baixa maturidade tecnológica, que acontecem por e-mail, planilhas, papel e conversas informais;
  • Processos com clientes infelizes;
  • Processos com alto volume de erros ou inconsistências;
  • Processos que atravessam várias áreas e dependem de muitas aprovações;
  • Processos que geram dificuldade de acompanhamento.

Missão, visão, valores e objetivos da empresa são questões que podem servir de referência para guiar essa etapa do mapeamento de processos. Afinal, é preciso que as ações tomadas sejam justificáveis de acordo com algum parâmetro já estabelecido.

Dica de leitura extra pra te ajudar: como escolher o processo para iniciar o mapeamento de processos.

Passo 3: Selecionar a equipe

A escolha da equipe interfere diretamente na qualidade do mapa. Não basta designar a tarefa para qualquer grupo disponível. O processo precisa ser analisado por quem conhece a rotina, entende os pontos de dor e consegue mostrar como o trabalho realmente acontece.

Isso significa envolver pessoas que executam, pessoas que recebem a saída do processo e, quando possível, alguém com capacidade de validar mudanças. Em fluxos mais amplos, também é importante ter representantes das áreas que participam da jornada.

Outro cuidado é evitar montar uma equipe grande demais sem necessidade. O ideal é reunir as pessoas certas. Quem conhece só a teoria do processo costuma entregar uma visão mais limpa, mas menos fiel à operação real. Já quem vive o processo no dia a dia costuma revelar exceções, atalhos, retrabalhos e controles paralelos que documentos formais raramente mostram.

Passo 4: Treinar a equipe

Essa etapa parece óbvia, mas costuma ser negligenciada. Mesmo quando o time é competente, isso não significa que todos compartilham o mesmo entendimento sobre o que será mapeado, qual notação será usada, qual o nível de detalhe esperado ou qual é o objetivo do trabalho.

Treinar a equipe aqui não quer dizer criar uma formação longa e complexa. Quer dizer alinhar conceitos mínimos para que o grupo fale a mesma língua. Se uma parte do time entende o processo como fluxo operacional e outra parte entende como organograma ou checklist, o desenho vai sair confuso.

Esse cuidado fica ainda mais importante quando o processo será modelado com vistas à melhoria estruturada ou à automatização. Quanto mais cedo os envolvidos entenderem o padrão de desenho e o objetivo da atividade, melhor.

Passo 5: Desenvolver o mapa atual (as is)

Neste passo, você vai desenhar o processo exatamente como ele acontece hoje. Esse é o chamado mapa as is, uma expressão usada para indicar o estado atual da operação. Em outras palavras, é o retrato fiel da realidade: como o processo funciona de fato, e não como ele deveria funcionar no cenário ideal.

Esse mapa é importante porque revela a lógica real da execução antes de qualquer tentativa de melhoria. Muitas vezes, o que está documentado não corresponde ao que acontece no dia a dia. O as is ajuda a enxergar essa diferença com clareza e serve como base para identificar gargalos, falhas, etapas duplicadas, pontos de atraso e ruídos entre as áreas.

Para montar esse desenho com mais precisão, observe principalmente:

  • Onde o processo começa de verdade;
  • Quais informações entram no fluxo;
  • Quais etapas são executadas;
  • Quem é responsável por cada atividade;
  • Onde existem aprovações, validações ou conferências;
  • Quais decisões alteram o caminho do processo;
  • Em que pontos acontecem esperas ou paralisações;
  • Onde surgem retrabalhos ou retornos para etapas anteriores;
  • Quais áreas participam do fluxo;
  • Como o processo termina e qual é a saída esperada.

Se fizer sentido, comece pelo fluxo principal e só depois detalhe exceções e variações. Isso ajuda a evitar um desenho confuso logo no início. O objetivo do as is é deixar visível o que acontece hoje, para que a empresa possa decidir com mais segurança o que deve ser ajustado depois.

Passo 6: Identificar as desconexões (problemas)

Com o processo atual desenhado, começam a aparecer as desconexões.

São aqueles pontos em que o fluxo perde ritmo, exige esforço desnecessário ou deixa margem para erro. Às vezes é uma etapa duplicada. Em outros casos, é uma aprovação que existe, mas ninguém sabe exatamente por quê. Também pode ser uma atividade manual repetitiva, uma informação que sempre chega incompleta ou uma transferência entre áreas que costuma gerar atraso.

Esses problemas nem sempre são grandes à primeira vista. Só que, somados, eles comprometem bastante o desempenho do processo.

Por isso, nesta etapa, vale registrar tudo o que chama atenção:

  • Retrabalho;
  • Burocracia em excesso;
  • Falhas de comunicação;
  • Esperas longas;
  • Tarefas sem dono claro;
  • Muitas exceções;
  • Controles paralelos;
  • Dependência de pessoas específicas;
  • Falta de padrão na entrada das informações.

É aqui que o mapa começa a mostrar seu valor com mais nitidez.

Passo 7: Analisar as desconexões

Identificar os problemas é só o começo. O passo seguinte é entender as causas.

Quando o atraso aparece, em que etapa ele começa? Já o retrabalho costuma nascer de erro na origem, falta de padronização ou falhas de comunicação. E, quando uma aprovação consome mais tempo do que deveria, geralmente isso indica responsabilidade mal distribuída, critério não bem definido ou perda de relevância no fluxo.

Uma ferramenta útil nessa etapa é o Diagrama de Ishikawa (diagrama de causa e efeito). Ele organiza as possíveis causas em categorias, como método, mão de obra, máquina, material, medida e meio ambiente. Assim, fica mais fácil enxergar o que está por trás da desconexão e evitar que a análise se limite ao primeiro sintoma.

Essa leitura precisa ir além do óbvio. Em muitos processos, o problema aparente não é a causa real. Às vezes, a equipe aponta que o fluxo é lento, mas a lentidão está ligada à entrada de dados incompleta. Em outros casos, a empresa entende que precisa de uma ferramenta nova, quando o gargalo está nas regras de negócio ou na organização do trabalho. Quanto mais preciso for esse diagnóstico, mais consistente será o desenho futuro.

Outra técnica utilizada com frequência é a tempestade de ideias (brainstorming). Nela, as sugestões aparecem com mais espontaneidade, mesmo quando parecem banais no primeiro momento. Com o diálogo, o time complementa hipóteses e aprofunda a análise.

Depois de identificar as principais causas das desconexões, vale aplicar também um benchmarking (pesquisa de melhores práticas), olhando o que outras empresas fazem ou quais modelos internos já funcionaram bem. Isso ajuda a transformar a análise em caminho de melhoria mais objetivo.

Passo 8: Desenvolver o mapa ideal (to be)

Depois de compreender o processo atual e seus pontos de falha, você pode desenvolver o mapa ideal, também chamado de to be.

Esse mapa representa a forma como o processo deve funcionar após as melhorias. Aqui entram simplificações, remoção de etapas desnecessárias, ajustes de responsabilidade, redefinição de aprovações, padronização de entradas, redução de exceções e, em muitos casos, possibilidades de automatização.

É importante que o desenho futuro tenha um propósito claro. Se a meta é reduzir tempo, por exemplo, o to be deve atacar esperas, passagens desnecessárias e atividades manuais repetitivas. Se a prioridade é reduzir erro, o foco pode estar em validações, padronização e clareza de responsabilidade.

O mapa ideal precisa ser melhor que o atual, mas também precisa ser viável. Não adianta desenhar um fluxo bonito que ninguém consegue executar depois.

Passo 9: Estabelecer medidas de controle

Depois de desenhar o processo futuro, é hora de definir como ele será acompanhado. Essa etapa é essencial porque uma melhoria só se sustenta quando existe monitoramento claro. Sem controle, o processo pode até ser redesenhado, mas a empresa não consegue saber se a mudança realmente funcionou.

É aqui que entram os indicadores de desempenho, ou KPIs. Eles ajudam a medir se o processo está cumprindo o que foi proposto no mapa to be. Dependendo do objetivo da melhoria, os KPIs podem mostrar se houve redução de tempo, menos erro, maior produtividade, mais agilidade nas aprovações ou menos retrabalho.

Alguns KPIs comuns nesse contexto são:

  • Tempo de ciclo do processo;
  • Tempo médio por etapa;
  • Volume de retrabalho;
  • Taxa de conformidade;
  • Número de exceções;
  • Prazo médio de aprovação;
  • Nível de serviço;
  • Satisfação do cliente interno ou externo;
  • Percentual de etapas executadas dentro do padrão definido.

A escolha dos KPIs precisa estar conectada à questão crítica que motivou o mapeamento. Quando o objetivo é reduzir atraso, o indicador deve mostrar prazo e tempo de execução. Para diminuir erro, o KPI precisa revelar falhas, retrabalho ou não conformidade. Já na busca por mais previsibilidade no fluxo, o monitoramento deve evidenciar estabilidade e regularidade.

Também vale definir com antecedência qual será a meta desejada, com que frequência o indicador será medido, quem vai acompanhar os números e o que será feito quando houver desvio.

Passo 10: Implantar e monitorar

Agora, o processo precisa sair do desenho e entrar em prática.

A implantação envolve validar o novo fluxo com os envolvidos, comunicar as mudanças, atualizar documentos, orientar as equipes e acompanhar os primeiros ciclos de execução para ver se o processo se comporta como esperado.

Esse cuidado é importante porque o processo no papel nem sempre revela todos os impactos da operação real. Algumas exceções só aparecem quando o fluxo começa a rodar. Algumas decisões parecem simples no desenho, mas exigem ajustes no uso cotidiano.

Por isso, depois de implantar, monitore. Veja se os indicadores confirmam a melhoria esperada, se surgiram novos gargalos, se as pessoas estão executando o fluxo como planejado e se existe espaço para nova rodada de ajuste.

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Como escolher por qual processo começar o mapeamento?

Comece seu mapeamento pelo processo mais estratégico para atingir seus objetivos finais. Para deixar mais claro, vamos pensar que a minha empresa tenha como estratégia tornar-se a líder de mercado em seu segmento. Então, eu identifico que o processo comercial tem um forte impacto nesta estratégia e pode alavancar este sucesso. Pronto! Já sei por onde começar o meu mapeamento: pelo processo comercial.

Uma dica de ouro

Essa eu só compartilho com quem eu realmente gosto. Se você nunca fez mapeamento de processos, o ideal é que você escolha primeiro um processo pequeno, para aprender com ele. Se você escolher um processo complexo demorará o triplo do tempo e poderá se desmotivar a continuar.

O que fazer no mapeamento de processos

Para começar, é preciso definir um líder — de preferência alguém da alta administração para motivar a equipe e autorizar ações. Lembre-se, sem o apoio da liderança dificilmente as mudanças terão sucesso.

Após a definição do líder, forme um grupo com algumas pessoas que tenham conhecimento em mapeamento ou modelagem de processo, outros que tenham visão de eliminação de desperdícios e implementação de melhorias e nunca esqueça de chamar aqueles que são os mais importantes: as pessoas que executam o processo.

O que não fazer no mapeamento de processos

Não forme uma equipe e saia mapeando processos sem convidar os usuários daquele processo ou ao menos sem informá-los sobre o que está acontecendo. Transparência é essencial para o sucesso! Se isso acontecer, você pode criar uma resistência muito difícil de ser quebrada. E não há tecnologia ou boa ação que supere a importância da compreensão e comunicação entre pessoas. Confiança é fundamental!

Como definir a orientação da melhoria?

O primeiro passo é sempre lembrar da sua questão crítica, o ponto exato que você deseja melhorar ao mapear um processo. Com isso claro, fica mais fácil decidir para onde o desenho futuro deve levar a operação.

Em alguns casos, a orientação da melhoria estará ligada à eliminação de burocracias. Em outros, o foco será remover atividades duplicadas, reduzir o tempo do ciclo ou tornar o processo menos vulnerável a erro.

Também pode haver situações em que o principal ganho esteja na padronização das atividades, na melhoria da comunicação entre áreas, na atualização das ferramentas de trabalho ou na capacidade de enxergar o processo de ponta a ponta.

Uma forma útil de conduzir essa análise é observar cada etapa e perguntar:

  • Essa atividade agrega valor?
  • Ela pode ser simplificada?
  • Ela existe por necessidade real ou por costume?
  • Há uma forma mais clara de executar essa passagem?
  • O processo pode ficar mais fluido sem perder controle?
  • Essa etapa é candidata a automatização?

Ao longo desse exercício, algumas ações de melhoria costumam aparecer com frequência:

  • Eliminar burocracias desnecessárias;
  • Remover atividades duplicadas;
  • Avaliar o valor agregado de cada etapa;
  • Simplificar o fluxo;
  • Reduzir o tempo do ciclo;
  • Tornar o processo mais resistente a erros;
  • Modernizar ferramentas e abordagens;
  • Promover comunicação mais clara;
  • Padronizar atividades;
  • Aperfeiçoar a visão geral do processo;
  • Automatizar tarefas repetitivas;
  • Melhorar a relação com fornecedores e áreas envolvidas.

Nem todas essas ações precisam entrar ao mesmo tempo. O importante é identificar qual direção trará mais ganho para o processo naquele momento.

Como ter ideias para melhorias em processos?

De onde surgirão as ideias e a fonte de inspiração? Bom, uma alternativa é o próprio benchmarking, que não serve apenas para avaliar comparativamente os processos, mas também para ser uma fonte de inspiração.

Não é porque os outros fazem que você vai ser menos criativo. Tenha em mente que aquilo que é bom e funciona deve ser copiado, no sentido positivo. Não precisamos inventar a roda toda vez que vamos fazer uma melhoria, não é verdade?

No entanto, não é preciso sempre olhar para fora. Se você quiser descobrir como melhorar seus processos, o input das pessoas que executam esses processos — chamadas, no BPM, de atores dos processos — será muito valioso. Elas têm contato direto com o fluxo de trabalho e, possivelmente, já tiveram várias ideias para modificar aspectos problemáticos ou falhos. E você não precisa apenas ouvir o que elas têm a dizer.

Em vez disso, pode estimulá-las a ter ideias e, também, colaborar com sua própria criatividade. Uma boa maneira de fazer isso é promovendo sessões de brainstorming, com a finalidade de levantar alternativas para resolver os problemas identificados nos processos de negócio.

Por fim, divulgue as novas responsabilidades, os objetivos e as metas para que haja uma mudança comportamental na empresa — ou seja, para que a cultura inovadora se sustente. Lembre-se de ter cuidado ao lidar com as pessoas para que todos se mantenham engajados nas mudanças e correspondam às expectativas.

O que fazer depois de mapear o processo?

Depois de mapear seus processos você deve automatizá-los. A automatização significa colocar o seu processo “To be” dentro de uma plataforma de BPM. A transformação digital nos oferece ferramentas cada vez mais eficientes e os benefícios dessa mudança são muitos. Afinal, os erros de processos são reduzidos, a qualidade tende a crescer e o próprio tempo é melhor aproveitado. 

Você quer descobrir como isso tudo ocorre na prática, desde a escolha do processo até a automatização? Buscar por este conhecimento já é um passo incrível. Mas, você precisa colocar em prática. É possível ir do zero à automatização de processos, você mesmo pode fazer isso.

Qual a melhor ferramenta para automatizar processos?

Eu não posso deixar de compartilhar com você uma ferramenta para fazer automatização de processos de maneira simples e prática, o Zeev. O Zeev é uma ferramenta low-code que vai ajudar você a eliminar a dor de cabeça do dia a dia da sua empresa, ou do seu departamento, por meio da padronização dos fluxos de trabalho.

Por isso, vou indicar a você um texto excelente: O melhor software de processos que você vai conhecer. A tecnologia é e sempre vai ser o seu maior aliado na otimização de processos. E lembre-se, você vai mapear o processo e depois? O segundo passo é automatizá-lo, caso contrário, o mapeamento vai ficar pegando teia de aranha na gaveta.

Vídeo: Como criar aplicativos de processo automatizados

O grande pulo do gato é que você mesmo pode mapear, desenhar e automatizar o seu processo, de forma muito simples, em alguns cliques, sem precisar conhecimentos específicos de TI ou programação.

Dessa forma, enquanto você realiza o mapeamento do processo chave, de grande impacto, sua empresa pode ir se beneficiando dos demais fluxos de trabalho. Nada mal, não é mesmo?! Fale com um especialista!

Boas práticas para documentação de processos

Viabilizar o sucesso desse procedimento exige uma documentação eficiente. O mapa pode ser o centro do trabalho, mas a forma como você registra, organiza e mantém esse conhecimento influencia diretamente a utilidade do material no dia a dia.

1) Não desviar da cadeia de valor

Toda atividade precisa ser entendida dentro do valor que gera. Se o processo perde a conexão com o resultado que deveria entregar, o mapa se torna uma sequência de tarefas sem relação clara com o objetivo final. Por isso, a cadeia de valor deve orientar a leitura do processo do início ao fim.

2) Não foque apenas em departamentos

Um dos erros mais comuns é documentar o processo a partir da lógica do organograma, e não da lógica do fluxo. Quando isso acontece, cada área enxerga só o próprio trecho, e os problemas mais importantes ficam escondidos justamente nas passagens entre departamentos.

3) Entenda os objetivos

A documentação deve refletir o objetivo do processo e o objetivo da empresa. Isso ajuda a decidir o que precisa estar no mapa, o que pode ser simplificado e o que merece acompanhamento mais próximo.

4) Escolha indicadores relevantes

Indicadores são essenciais para o monitoramento, mas só funcionam quando dizem algo útil. Bons KPIs mostram desempenho, tendência, desvio e necessidade de ação. Métricas demais, sem clareza de uso, só aumentam ruído.

5) Registre oportunidades

Mesmo depois de um processo revisado, novas oportunidades de melhoria continuam aparecendo. Registrar essas percepções ajuda a manter o processo vivo e impede que a empresa trate o desenho atual como algo imutável.

6) Use ferramentas adequadas

Existem diversos softwares e plataformas que apoiam o desenho, a documentação e a gestão dessa rotina. O ideal é contar com uma ferramenta que combine facilidade de uso com capacidade de evoluir o processo depois. Conheça o Zeev.

7) BPMN Compliance

Existe um ditado que diz que “o papel aceita tudo”. Isso se aplica ao desenho de processo, também. Quando estamos desenhando um processo para fins de documentação, para treinamento, para “colar na parede”, podemos desenhar o processo como bem entendermos. Podemos usar elementos para fins diferentes, podemos desenhar conexões inválidas. Desde, é claro, que nosso público-alvo consiga entender o desenho.

Quando estamos desenhando para fins de automatização, entretanto, o público-alvo é a ferramenta de automatização. Por exemplo, é o motor do Zeev que deve entender primeiro o desenho, para poder executá-lo. Portanto, o desenho do processo deve ser BPMN compliance. Este termo – BPMN compliance – significa que o processo deve ser semanticamente correto e seguir a especificação.

Importante: NÃO faça mapeamentos que duram meses!

Erro comum em muitas organizações, por isso, não o cometa! Essa é a hora de pensar estrategicamente. Isso significa que é preciso analisar o mercado, ser ágil e implementar ações de melhoria o mais rápido possível. Busque resultados satisfatórios, pense nas pessoas e, principalmente, em facilitar o trabalho delas, no dia a dia. Modificar a maneira como o processo funciona pode trazer grandes resultados.

Criar atividades para aprimorar o atendimento ao cliente e eliminar atividades que não geram valor para o seu negócio serão só alguns dos benefícios. Gargalos não detectados, desperdícios, procedimentos não documentados e fluxos de informações confusos não existirão mais na sua organização!

Mãos à obra!

Agora você já sabe que mapear processos não é apenas desenhar etapas em sequência. É uma forma prática de organizar a operação, clarear responsabilidades, identificar gargalos, reduzir desperdícios e construir processos mais consistentes.

Se você quer começar bem, escolha um processo estratégico, defina a questão crítica, envolva as pessoas certas e desenhe primeiro a realidade atual. A partir daí, o caminho para melhoria fica muito mais objetivo.

E se a sua meta é sair do entendimento para a execução, o passo seguinte pode ser padronizar e automatizar esse fluxo com o apoio da tecnologia certa. O Zeev ajuda justamente nisso: você mapeia, estrutura, acompanha e faz o processo avançar com mais controle e menos esforço operacional.

Também vale manter aqui a indicação do checklist de mapeamento de processos. Ele é um bom apoio para quem quer colocar esse trabalho em prática com mais segurança e menos improviso.

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