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title: "Como é participar do Programa Executivo da Singularity University"
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  - "Inovação e Tecnologias Exponenciais"
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Durante a última semana de janeiro de 2018 tive oportunidade de participar da primeira turma do ano do Programa Executivo da Singularity University (conhecida como “SU”), em Cupertino, Califórnia, EUA. O objetivo desse artigo é compartilhar informações básicas caso você tenha interesse em, futuramente, participar também.

## **A Singularity University**

A Singularity University é uma “universidade” diferente. Foi fundada pelo futurista Ray Kurzweil e pelo empreendedor Peter Diamandis, e funciona dentro do NASA Ames Research Center, no Vale do Silício.

O foco dos cursos, estudos, workshops e eventos da Singularity são tecnologias com crescimento exponencial, ou seja, tecnologias atuais ou futuras com um potencial de crescimento e impacto que pode transformar economias, empresas e o nosso próprio estilo de vida.

## **Como funciona o EP**

O Programa Executivo (*Executive Program*, ou EP) da SU tem duração de 6 dias, iniciando no domingo e terminando na sexta a noite. A carga horária é pesada, com os transportes saindo do hotel todos os dias 07:45hs e retornando por volta de 20:30hs. Alguns alunos começam as atividades as 06hs da manhã, com aulas em grupo na academia .Em alguns dias, há eventos de relacionamento que vão até mais tarde da noite.

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A inscrição é feita totalmente online. Algumas perguntas sobre seu currículo e sua atuação profissional são feitas, assim como seus interesses de estudo e pesquisa futura. Após minha inscrição passaram-se cerca de 2 meses até a confirmação. Não fica claro nesse momento qual o critério de seleção de alunos. A SU afirma, oficialmente, que existe um processo de seleção e que as turmas são montadas procurando uma variabilidade de perfis, países e interesses. Como isso acontece, entretanto, não é transparente.

A inscrição inclui hospedagem em um hotel bom, de categoria intermediária, assim como transporte diário até o campus da SU (cerca de 20 min) e todas as refeições (café da manhã, lanches, almoço e janta).

Devido ao alto valor do investimento necessário e pela curta duração, o público alvo são executivos e profissionais seniores, que estejam dispostos a um intensivo de conteúdo e informação durante a semana. Minha turma tinha 87 alunos, de pelo menos 37 países diferentes, dos 5 continentes. Não foi surpresa constatar que o grupo de brasileiros era o mais expressivo, com 14 profissionais (de acordo com a equipe de apoio da SU, isso é comum). Foi surpresa, entretanto, observar o reduzido número de alunos do Estados Unidos e da China.

A maioria dos meus colegas ocupavam posições C-level, em grandes organizações multinacionais em seus países de origem. Profissionais de outras áreas, como empreendedores, advogados, médicos, militares e funcionários governamentais também estavam presentes. Por observação, estimo que a idade variava de 30 a 70 anos.

Foi interessante notar a grande diferença de ramos de atuação entre os alunos. Arrisco deduzir que a maior parte dos participantes representavam empresas e organizações de ramos de atuação mais tradicionais que estão buscando caminhos para inovar e adaptar seus negócios, ainda que existam muitas exceções.

A estrutura do Campus, em geral, foi considerada o ponto fraco da SU. A SU fica dentro de um centro de pesquisas da NASA, o que gera uma “expectativa” elevada. Entretanto, o local lembra mais uma base aérea antiga, da década de 50. Particularmente achei a sala de aula um pouco desconfortável, com muitos pontos cegos. As refeições servidas no local, durante o curso, foram controversas, gerando elogios e críticas diversas.

Por outro lado, achei a organização do curso como um todo muito boa, e muito superior aos cursos que estou acostumado no Brasil. A SU tem um grande *staff* de apoio e conta com ajuda de muita tecnologia para tornar o estudo mais fácil. Existe uma pessoa especificamente contratada para fazer resumos / anotações de cada aula; outra para realizar desenhos esquemáticos no quadro enquanto a aula ocorre; a maioria dos PPT’s são fornecidos no pós-aula para download; e um app próprio permite acompanhar o cronograma de aulas, ler materiais relacionados e fazer e votar em perguntas a serem feitas aos professores.

## **Pensamento exponencial**

Todas as aulas do curso circundam, sob diferentes perspectivas e áreas do conhecimento, o mesmo princípio: o crescimento exponencial de tecnologias chave. Aparentemente de simples e comum entendimento, aprendemos que nós, humanos, não estamos acostumados nem fomos treinados e pensar exponencialmente. Isso traz uma série de limitações quando temos de pensar o futuro e entender para onde a humanidade caminha.

Para mim, uma das coisas mais interessantes é, no gráfico abaixo, a região onde o eixo do gráfico exponencial é menor que o eixo do gráfico linear. Esse é o momento em que ficamos “desapontados” (*disappointment*). É onde no pensamento linear clássico deveríamos estar mais longe do que estamos hoje, na realidade do dia a dia.

É quando nos questionamos por que ainda não existem veículos autônomos em massa, não existem skates nem carros voadores, a medicina ainda não curou o câncer e não tenho um robô em casa. Nosso pensamento linear (e os filmes de ficção científica) nos diz que isso já deveria existir. Esse momento de desapontamento ocorre também em empreendimentos da nova economia digital, onde não conseguimos atingir os objetivos de vendas desenhados em nosso plano de ação (linear).

O interessante é que se a tecnologia ou o novo negócio seguir essa linha realmente exponencial, no momento que o gráfico exponencial passar o gráfico linear, as potencialidades do negócio se tornam praticamente inimagináveis, e os ganhos de escala podem superar em muito qualquer plano de negócio tradicional. No gráfico esse ponto é chamado de “momento iPhone”, lembrando o momento em que o iPhone foi apresentado ao mundo e transformou a visão de todos sobre smartphones.

## **Aulas e conteúdo do EP**

O conteúdo das aulas é agrupado, entre outros, nos seguintes temas:

1. Inteligência artificial;
2. Blockchain e cryptocurrencies;
3. Fabricação digital;
4. Energia e alimentos;
5. Computação quântica;
6. Medicina e neurociência;
7. Sociedade e comunidade;

Os temas que podem envolver *background* mais técnico, como *blockchain*ou inteligência artificial, geralmente são tratados numa perspectiva de negócios e oportunidades, e não de *bits*e *bytes*.

O que mais me chamou atenção, entretanto, é como o conteúdo ministrado nas aulas é tão bem alinhado entre diferentes professores. Não é incomum você ver slides repetidos, que você já viu em outro dia, em outra aula. É a mesma coisa, com outra visão completamente diferente. Aos poucos, você consegue “ligar os pontos” e ver como tudo está conectado. Falar de maneira conectada sobre carros autônomos, inteligência artificial, *blockchain*, *cryptocurrencies*, *weareables*e realidade virtual, me parece, agora, algo natural.

## **Vale a pena?**

Acho que um curso vale muito a pena quando ele te ensina a pensar de uma maneira diferente, ao invés de simplesmente entregar um monte de conteúdos. E nesse sentido, apesar da curta duração, acho que o EP faz um bom trabalho. Ele te ajuda a refletir e pensar não sobre a tecnologia em si, mas sobre os impactos dela em nossas vidas, sob diferentes perspectivas.

Por exemplo, carros autônomos. Eles vão acontecer. Mas qual será o impacto deles na economia? No PIB? No desemprego? Na indústria? Nas relações sociais? Nos Governos? A SU promove essa discussão e essa reflexão muito bem.

Bom, mas sendo mais claro…

Se sua atuação profissional está vinculada a um setor ou organização com um modelo de negócio mais “tradicional”, como indústria, energia, varejo, financeiro, etc, vale muito a pena. Ao final de uma semana você terá uma visão muito mais ampla e instrumental de potenciais tecnologias que podem gerar uma “disrupção” no seu negócio. Não é incomum grandes organizações enviarem mais de um executivo para que esses possam discutir e repensar seus negócios.

Se você é um empreendedor ou está iniciando uma startup, é possível que você já esteja um pouco mais familiarizado com algumas das ferramentas apresentadas. Nesse caso, a SU pode ajudar você a fortalecer algumas decisões e, talvez, mais do que isso, gerar um *networking*muito interessante para o seu futuro negócio.

Por fim, se você é jovem e recém-formado, eu sinceramente não recomendo. A SU tem um programa mais amplo e mais aberto, o SGP, de 3 meses. Assim como existem muitas outras opções com o mesmo investimento focando formação de carreira e formação profissional.

**[Rafael Bortolini](https://zeev.it/blog/author/rafael-bortolini/)**Sou Diretor de P&D e Inovação da SML Brasil, mestre em Engenharia de Produção pela UFRGS e consultor com mais de 15 anos de experiência em projetos de melhoria de processos de negócio (BPM) em organizações de grande porte no Brasil nos setores de varejo, educação, financeiro e área pública. Arquiteto e responsável pelo desenvolvimento do Orquestra BPMS, primeiro BPMS brasileiro. Sou responsável por 4 projetos de BPM vencedores do WfMC Awards in BPM & Workflow, América Latina, e também professor em cursos de pós-graduação, em cursos de certificação e palestrante em diversos eventos no Brasil, com foco em gestão de processos. Revisei e colaborei no ABPMP CBOK V3 edições brasileira e inglesa, a participei ativamente de diversos eventos da ABPMP Brasil. Possuo certificações CBPP, OCEB e MCSD.

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